27 fevereiro, 2014

Anjos da guarda

Outro dia estava falando com uma amiga sobre como a maternidade muda uma mulher. Nunca fui mãe, mas em toda a empresa em que passo acontece um baby boom. Incrível como as minhas colegas engravidam todas juntas! (Incrível como começo a beber água na empresa com certo receio durante este período). Por causa disso, tive a oportunidade de testemunhar passo a passo o que esta revolução é capaz de fazer com elas.

O primeiro indicativo de que os hormônios estão sendo alterados é a relação da futura mamãe com a temperatura. Mulheres que antes faziam corrida de arrancada, rapel e muay thai, de repente, começam a te orientar a levar um casaco para a reunião, pois naquela sala o ar condicionado é forte demais.

O segundo indicativo é a quantidade de conhecimento sobre medicina que elas começam a acumular. Basta um espirro para elas saberem se você está com um resfriado, ou se deve ir a um médico otorrinolaringologista para exames, por suspeita de sinusite. Quer saber o nome de um remédio? Elas sabem! Machucou e não sabe se foi algo sério? Elas diagnosticam e sugerem tratamento (ou encaminham para um hospital). Mães são sensíveis, e se preocupam com o bem estar de todos à sua volta.

E nessas horas eu vejo o quanto fiz a minha mãe sofrer nesta vida. Especialmente quando morei sozinha pela primeira vez. Afinal, eu ainda contava com o apoio dela durante as minhas trapalhadas. Não tinha ideia do potencial destrutivo que uma simples mensagem por celular poderia causar. Para mim, era simplesmente um texto: “mãe, preciso ir a um P.S. ou apenas coloco gelo?”, com a foto de um braço que claramente rolou escada abaixo junto com o corpo todo.

Decidi parar de incomodá-la com minhas dúvidas. Um dia surgiu uma bem trivial: produto vencido é produto estragado? Preferi confiar na precisão do nariz e dos olhos a acreditar na empresa que estipulou a data de validade... Que já havia terminado dois meses antes, aliás... Dúvida sanada: dá para usar margarina vencida sim, pois tem aparência, sabor e cheiro normais... E é bem mais prático do que comprar Arsênico - se quiser tirar a vida de alguém.

Mas as aventuras não cessaram por aí. Sozinha em casa, mais um “pequeno acidente” aconteceu. Desta vez, eu mesma fiz o check-list e vi que estava inteira. Não queria assustar minha mãe. Mas foi necessário pedir a indicação da marmoraria para o meu pai. Precisava consertar a pia da cozinha para usá-la. Ela deu uma quebradinha quando fui limpar o topo da geladeira, pois não foi projetada para aguentar meu peso. Junto com o telefone da marmoraria, meus pais “sugeriram gentilmente” que eu contratasse uma faxineira.

Pobres pais. São criaturas ingênuas. Acham que só vão querer cuidar da gente até os 18 anos de idade. Como se no dia do nosso aniversário eles fossem se desapegar, de repente. Pais protetores sempre serão protetores. Não ficaria espantada se um dia eles brigarem com um rapaz que parou na vaga de idosos dizendo: “você precisa ter respeito pelos mais velhos, rapaz! Tire seu carro daí! Minha filha tem 65 anos e sofre com dores nas costas”.

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